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Gabi Salles — empreendedora de Marketing Digital Humanizado, sócia da VK Digital, junto com Whindersson Nunes, Marcelo Távora, Lucas Gilbert, Alex Monteiro, Douglas Nascimento e mais — hoje é responsável pela parte de infraestrutura dos lançamentos: páginas, integrações e também funil de e-mail. Gabi explica dicas em seu perfil do Instagram, como "Maneiras de aumentar o faturamento", "Como conciliar seu trabalho com um negócio digital", "Estruturas de lançamento". Gabi Salles tem 36.4 mil seguidores em seu perfil no Instagram e mais de 11.6 mil no Youtube. (@gabisallesdigital)

"A rotina das mães atualmente é exigente. Conciliar o trabalho com a família é algo complicado, principalmente na pandemia. Você como mãe, qual dica daria para outras mulheres que não conseguem trabalhar e dar atenção necessária para os filhos?"

R: Eu acredito que o problema da mãe que trabalha e que não se sente inteira em nada o que faz está na raiz. A gente se cobra ser aquela mãe que faz todas as brincadeiras lúdicas do Pinterest com filhos e com a mesma competência que seja uma profissional incrível, muito acima da média, que acompanha todos os projetos em andamento e não se permite falar 'não' para qualquer demanda de trabalho. O resultado dessa cobrança é a sensação de que a gente tá sempre devendo alguma coisa pra alguém. Seja em casa, seja no trabalho...

O primeiro passo para começar a resolver isso é o da aceitação, calma que eu explico “aceitação” do quê. A gente precisa aceitar que somos seres humanos comuns. Isso de achar que somos mulheres maravilha só traz sofrimento. A gente não precisa dar conta de tudo com perfeição. Isso é desumano.

O segundo passo é o da Organização. Pra gente conseguir rodar todos os pratinhos, é preciso que tenha tempo para cada uma das coisas. Isso significa ANOTAR na agenda, reservar tempo. No início da pandemia eu reservava 10 minutos entre as reuniões de meia hora para ficar com meu filho. Foi uma forma que consegui de não deixá-lo tão ansioso porque ele sabia que daí a pouco a mamãe teria uns minutinhos com ele. Mas foi um limite que eu tive que impor no trabalho também. Se a reunião durou mais do que meia hora, eu pedia licença, me retirava e voltava depois. E tá tudo bem a gente impor nossos limites no trabalho, não precisa ter vergonha nem se massacrar de forma desnecessária.

E o terceiro passo é o do Desapego. Ou o da Delegação. Será que só você é capaz de montar a lancheira do seu filho? Ou... só você é capaz de organizar aquela pasta de arquivos no trabalho? A gente precisa trabalhar de forma inteligente tanto no trabalho quanto em casa. Em casa a gente pode usar a rede de apoio: familiares, parceiros, vizinhos… e no trabalho a gente pode contar com a equipe que trabalha com a gente. Eu sei que não dá pra delegar tudo e não é todo mundo que tem uma rede de apoio. Mas todo mundo tem alguma coisinha que poderia pedir ajuda. Ou melhor, que poderia redistribuir as atividades com outras pessoas.


"É possível dividir as tarefas com os filhos?"

R: Eu acredito que cada família tem seu modelo. O que não dá é pra definir uma regra como "toda criança com idade x deve ser ensinada a arrumar sua cama". Isso em geral só gera ainda mais ansiedade e cobrança sobre as próprias mães que costumam ser as responsáveis por "implementar" essas regras. E vira mais uma carga na pilha.

Até porque tem uma outra questão sobre "dividir" as tarefas com os filhos: a EXPECTATIVA que a gente tende a colocar em cima disso. Pensa comigo… dar banho numa criança dura 10 minutos, enquanto ensinar uma criança a tomar banho dura 40 minutos ou mais e provavelmente vai precisar se repetir algumas vezes. Não que você deva dar banho no seu filho até os 18 anos. Mas por isso que eu acredito que cada família deva ter seu modelo. Um modelo que forme pessoas independentes e que não massacre a mãe com tanto "tem que...".



"Como fazer a vida profissional e a pessoal andarem juntas?"

R: O importante mesmo é saber que não é todo dia que flui e é lindo. Geralmente têm renúncia sim. Mas o mais importante é ter CLAREZA. Para você é importante ter os dois? Depois de muita luta interna eu cheguei à conclusão que eu tenho um lindo tesouro que é meu filho e minha família mas, pra mim é muito importante ter sucesso no trabalho TAMBÉM. Eu me sinto viva tendo resultado e crescendo na carreira. Eu quero tudo e eu sei que eu mereço ter tudo. Eu me permito ter sucesso na minha carreira, por mim. Tendo essa clareza do que me move, eu tomo minhas decisões. Eu opto por estar em todas as apresentações da escolinha mas, para estar em todas as reuniões de diretoria eu organizei minha rede de apoio pra não precisar mais levar e buscar na escola. E tá tudo bem. Eu não sou uma mãe ruim por não ficar na porta da escola todos os dias. E eu não sou uma profissional ruim porque eventualmente eu bloqueio minha agenda no meio da tarde para assistir ao teatrinho do coral. E isso só faz sentido porque dentro de mim isso está bem resolvido. Cobranças vão sempre existir de todas as partes.


"E para finalizar: você trabalha com a internet, qual conselho você dá para as mães terem cuidado com os filhos em relação a tecnologia?"

R: Submeter crianças a telas é uma questão muito polêmica e que eu não acredito que esteja certo e errado. Acho que vale ter serenidade para entender que a gente vive em um mundo cada vez mais tecnológico e essas crianças já nascem inseridas nesse meio. Privá-las disso de forma radical não me parece um caminho de bom senso. Fato é que não tem mais como voltar atrás na evolução. As telas estão aí, a tecnologia está aí e faz parte das nossas vidas.

 

E falando enquanto mãe que passou por um período de pandemia em home office sem ajuda em casa e com uma criança cheia de energia… confesso que as telas foram de grande utilidade. E falo isso sem nenhuma vergonha ou remorso. A gente tem que parar de romantizar a educação perfeita ou a maternidade perfeita. Essa romantização massacra mulheres mães que se cobram além do saudável. É impossível ser uma mãe 100% presente que faz joguinhos com papelão que monta um pratinho com legumes frescos, brinca no chão, mantém a criança livre de telas, mantém a casa limpa e organizada e ainda entrega um bom trabalho pro chefe tóxico. Eu acredito no caminho do meio. No caminho que a gente entende que nós somos humanas e que uma tela, às vezes, pode ser uma estratégia pra gente conseguir focar naquela reunião importante com os investidores da empresa. Claro que com limite e de forma direcionada. Mas nada radical demais conversa com o que eu acredito.

Publicado por
Miriam Freitas
Colunista social
em 19/08/2021 às 15:29

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